29/04/2019

Protagonista da Enfermagem Sergipana

Téc. de Enfermagem, Glécia do Sacramento

Protagonista da Enfermagem Sergipana – Téc. de Enfermagem Glécia do Sacramento

Muitas pessoas encontram várias desculpas para não doar os órgãos, entre elas estão a superstição, religião, medo de que os órgãos sejam removidos ainda estando vivas, por não concordarem, ou simplesmente, por apego ao corpo, o qual, somente existe no sentido material. “Provavelmente, não teriam a mesma opinião se necessitassem de um transplante para si ou para um ente seu”, é o que pensa a nossa Protagonista da Enfermagem Sergipana deste mês de abril, a técnica de enfermagem, Glécia do Sacramento.

Glécia dedicou 23 anos da sua vida exercendo suas atividades na UTI Adulta do Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE) – um ambiente em que ela tinha bastante apreço e amava trabalhar. Os colegas de trabalho relatam que ela possui uma essência diferenciada, é uma profissional ímpar com uma delicadeza extrema para com os pacientes e seus familiares.

Toda essa abnegação fez com que nossa protagonista fosse convidada em 2011, pela então coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO), Dra. Rosângela do Amaral, a fazer parte da equipe. Segundo Glécia, foi neste mesmo ano, que ela renovou seus votos com a Enfermagem e percebeu o quão precioso é ‘a arte de viver’.

Como os demais homenageados deste quadro, Glécia do Sacramento também é a prova de que o profissional de enfermagem é, sim, um protagonista de grande peso para a saúde no nosso país! Ela possui a árdua missão de conversar com os familiares e explicar sobre a importância da possível doação de órgãos após a perda de um ente querido. Um dos seus principais argumentos é: “Um ‘pedacinho’ do seu ente querido está vivo, pulverizando amor e felicidade na vida de outra pessoa e de toda família”.

A missão de dialogar e salvar vidas

Há exatos 08 anos, Glécia exerce com muito amor e cautela sua função na OPO, localizada no necrotério do HUSE. Sua rotina consiste em a cada 3 horas entrar em contato com as equipes dos setores críticos dos hospitais públicos e privados de todo o estado para verificar se tem pacientes em Escala de Coma Glasgow 3 (ECG-3), que é uma escala de ordem neurológica capaz de medir e avaliar o nível de consciência de uma pessoa.

De acordo com Glécia, após a equipe médica detectar a morte encefálica de um paciente e ficar comprovado que todas as funções do cérebro pararam de funcionar de maneira irreversível, a equipe da OPO com bastante sutileza entra em contato com os familiares da vítima para dar início ao protocolo, ou seja, a missão de salvar a vida de outro ser. Mas vale lembrar que a doação só pode acontecer com as respectivas autorizações da família. “É importante que as pessoas que possuem o desejo de doar seus órgãos, deixem isso bem claro para seus familiares e peçam que sua vontade seja obedecida”, enfatizou nossa protagonista.

“Após a retirada dos órgãos e tecidos da pessoa morta, o corpo é reconstituído e os cortes produzidos são suturados para que não se perceba a ausência dos órgãos removidos”, completa Glécia.

A importância da Doação de Órgãos 

Segundo o Registro Brasileiro de Transplante (RBT), o Brasil é destaque no contexto mundial de transplante de órgãos e tecidos, ocupando a 2ª colocação no ranking. Mas ainda assim, a alta taxa de recusa familiar para doação de órgãos é um problema grave no país.

Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 40% da população brasileira não aceita doar órgãos de parentes falecidos, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país. Eles informam que crendices somadas à falta de informações e oposição da família são os maiores responsáveis pelo insuficiente número de doadores.

Mas, enquanto algumas famílias ainda têm receio de autorizar a doação dos órgãos de parentes falecidos, cerca de 40 mil pessoas, entre crianças e adultos, estão na fila de espera por um transplante no Brasil.

Os especialistas informam que o diagnóstico de morte encefálica ou morte cerebral é irreversível, ou seja, o paciente perde todas as funções vitais do cérebro. O coração só permanece batendo porque o ventilador fornece esse suporte por algumas horas e os demais órgãos continuam funcionando. É somente nessa situação que os órgãos podem ser utilizados para transplante. Sem o socorro artificial, ou seja, sem o ventilador, o coração e os demais órgãos param de funcionar.

Para Glécia do Sacramento, independentemente do ponto de vista de cada um, contribuir para salvar a vida de alguém que precisa de um órgão é divino, é gratificante! “Nossa organização não sabe quem vai receber a doação. O que sabemos é que há uma lista de espera gigante. Oferecer a oportunidade de doação aos familiares que estão sofrendo com a perda de seu ente querido, de que doar os órgãos é um gesto louvável, não tem preço, é impagável! Naquele momento eu percebo que contribuí com duas famílias, a de quem doou e a de quem recebeu”, disse nossa protagonista com os olhos marejados, agradecendo a oportunidade de contar um pouco sobre a importância da doação dos órgãos.

Quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre esse serviço ligue para OPO: (79) 3259-2899.

Clique aqui e saiba como ser um doador de Órgãos.

 

Fonte: Ascom Coren-SE




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