14/07/2020

Protagonista da Enfermagem Sergipana

Enfermeira Gleyce Kelly de Brito Brasileiro Santos

Nossa reportagem especial Protagonista da Enfermagem Sergipana está de volta. Após alguns meses, mas ainda vivenciando o turbilhão da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), retornamos certos de que venceremos esta batalha e que precisamos nos inspirar em grandes profissionais da enfermagem que fazem a diferença no seu dia a dia, servindo-nos de exemplo em todos os campos da vida.

Chegou, então, a hora de conhecermos melhor a história da enfermeira Gleyce Kelly de Brito Brasileiro Santos, filha de José Ariocy Silva Santos e Altair Brito Santos. O sobrenome Brasileiro veio do esposo, Henrique Augusto Brasileiro Santos, com quem teve Paulo Henrique com sete anos de idade e a pequena Melissa, 4 anos.

Gleyce é sergipana com influência cultural de vários lugares. Quando nova, seu pai recebeu várias propostas de trabalho, passando por Ceará, São Paulo, e maior parte da sua infância em Belo Horizonte (MG), retornando para Sergipe no início da adolescência. ”A mudança foi impactante, mas sempre tive orgulho daqui”, relembra.

A protagonista deste mês estudou no Colégio Gauss e Escola Técnica Federal de Sergipe, onde aprendeu informática, uma das grandes paixões que norteiam até os dias de hoje a vida de Gleyce, dos pacientes e da Saúde em geral. Vocês entenderão mais para a frente.

Certa vez, a sua avó foi hospitalizada e a nossa protagonista foi uma das acompanhantes. “Foi quando eu tive contato com a equipe de enfermagem e vi que quem, de fato, ficava do lado dela eram os enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. Eu achei aquilo bonito”, recorda.

 

A CARREIRA

Já com emprego na área da informática, passou a dedicar-se, também, à saúde e ingressou no curso de Enfermagem. Conciliando os conhecimentos, foi nesta época que surgiu sua primeira criação virtual relevante, um software elaborado por ela e mais um colega destinado ao gerenciamento de acidentes de trânsito, o qual foi utilizado pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT).

A dedicação total à enfermagem surgiu quando passou no programa particular do Hospital São Lucas voltado para aprendizes. Trabalhou, concomitantemente, na Unimed e dava aula à noite na escola Santa Bárbara. Uma batalhadora. “Lembro bem de todo esse processo intenso”, diz. Na Unimed, recebeu um cargo de Coordenação de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH).

Gleyce, inclusive, passou pelo Hospital Primavera, criou uma clínica de enfermagem, a Bem Me Care, voltou à universidade para fazer residência destinada à Enfermagem da Saúde do Idoso, sendo aprovada em segundo lugar. “Nesta época, descobri que estava grávida. Foi um período difícil porque minha gravidez era de risco. Ele nasceu prematuro e ficou na UTIN”.

Nossa protagonista, ainda, fora aprovada na Universidade Federal de Sergipe, campus Lagarto, onde atua até hoje. Nessa trajetória, fez residência em ambulatório de Aracaju e montou o Ambulatório de Feridas em Lagarto. Passou por Santo Amaro, até que foi convocada, em Aracaju, para fazer parte da Comissão de Cuidados da Pele no Hospital Universitário.

 

A PARCERIA

Gleyce conheceu o seu marido na internet, através de aplicativos de conversas, o que os levou a um encontro na Universidade Federal de Sergipe e a selarem uma união amorosa que dura até os dias atuais. E foi justamente a partir dessa parceria romântica que, juntos, eles elaboraram um software voltado à área médica. Era um programa de Rádio Proteção Nuclear denominado “Dose Control”, pelo qual coletavam todas as informações dos profissionais de raio-X com relatórios de proteção que envolviam a manutenção de máquinas, exposição de profissionais, etc.

As contribuições de Gleyce na enfermagem continuaram no mundo virtual. Ela ingressou no mestrado com um projeto que criou com base em experiências vividas. “É que nós, profissionais da saúde, precisamos medir a ferida do paciente com régua e nem sempre as medições são iguais de um profissional para o outro. Então, meu marido e eu criamos o WRisk”, explica. Este é o primeiro aplicativo de uma série de três criações a serem realizadas e disponibilizadas, gratuitamente, por ela.

Para conferir os três aplicativos inovadores, que são de grande eficiência para os profissionais de saúde e pacientes, confira a caixa de informações localizada no fim desta matéria.

 

COVID-19

A nossa Protagonista da Enfermagem Sergipana foi contaminada, em maio, pela Covid-19 e teve de 25% a 35% do pulmão comprometido. Já recuperada, retornou para a linha de frente do combate ao vírus que já venceu pessoalmente. Atualmente, Geyce está formando um banco de dados dos casos atendidos no Hospital Universitário (HU). “A proposta é monitorar as lesões em pele dos pacientes com Covid. Muitos evoluem para diarréia, precisam ser pronados e acabam desenvolvendo lesões diferenciadas”, explica.

“A princípio, estamos monitorando e elaborando estratégias para minimizar esse problema”, afirma ela. Informa, inclusive, que o controle é manual, através de uma tabela que ela criou e que informam o leito em que o paciente está, se tem lesão, e se é de cuidado intensivo. Ela já visualiza que será possível fazer um “big date”, cruzar os dados coletados com outras universidades, como a de Lagarto, ampliando para algo ainda maior.

 

POR UM BEM MAIOR

Gleyce fala sobre a decisão de disponibilizar gratuitamente suas criações: “Eu poderia ganhar dinheiro com isso? Poderia. Ainda posso ganhar dinheiro com isso? Posso. Mas, não em cima dos profissionais de saúde!”.  Reforça que, como enfermeira assistencial, sabe das dificuldades para conquistar as coisas. “Não seria justo cobrar os aplicativos dos meus colegas. Mais na frente, posso ganhar com divulgações ou acordos com empresas e indústrias farmacêuticas, mas não com profissionais. O cuidado com os pacientes e os profissionais são sempre prioridade”, afirma.

Estas afirmações têm muito haver com o que ela acredita da enfermagem. “Ser da enfermagem é um privilégio. Você tem, como ferramenta, o cuidado, que é transformador na vida das pessoas. Qual profissional tem esta oportunidade transformadora de estar constantemente cuidando do paciente?”, reconhece a nossa protagonista.

Assim, percebemos o quão especial é a nossa profissional Gleyce, empática, preocupada com o bem maior, consciente da sua profissão e de como o seu conhecimento pode ajudar muitas pessoas, inclusive os seus próprios colegas de profissão. Pelas suas realizações e, principalmente, pela sua humanidade, o Coren-SE escolheu-a como destaque desta edição.

Fonte: Ascom Coren-SE




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