30/01/2020

Protagonista da Enfermagem Sergipana

Com a chegada de 2020 o Coren-SE buscou uma Protagonista

Com a chegada de 2020 o Coren-SE buscou uma Protagonista da Enfermagem Sergipana que representasse o que se espera a cada início de ciclo: força, determinação, planejamento, sabedoria e ação. Estas características são facilmente identificadas na enfermeira Andrezza Karina da Rocha Lima, personagem que guia a história das próximas linhas.

Andrezza é filha única do comerciante João Sérgio Sobral Lima e da comerciante e confeiteira Maria Alneide da Rocha Lima, estudou no Colégio Tiradentes e Arquidiocesano, sempre soube que gostaria de trilhar a área da saúde. Dentre as buscas pela profissão que iria exercer, cursou a fisioterapia, mas foi na enfermagem que ela, de fato, sentiu-se em casa e compreendeu a sua real vocação: cuidar do próximo.

O que parecia ser uma simples realização de um sonho, fazer enfermagem, se tornou um dos maiores desafios da vida de Andrezza. Logo no início da faculdade, a nossa Protagonista, com 23 anos na época, perdeu o pai e ao final do curso, perdeu a mãe. “Foi um processo muito doloroso para mim, mas ainda assim, posso afirmar que em relação ao curso, foi maravilhoso, pois foi exatamente o que eu buscava”, recorda.

No curso de enfermagem logo identificou predileção pelo centro cirúrgico. Até na vida pessoal, as séries que costumava assistir abordavam esta temática. Ao final do curso, estudou no Centro Cirúrgico do Hospital São Lucas. “Realmente eu me encontrei, afinal o setor exige uma veia gerencial muito forte, algo que eu amo. No cento cirúrgico o enfermeiro não é somente assistencial, ele precisa gerenciar todo o setor, inclusive a equipe médica”, destaca a Protagonista, que demonstra ter aprendido bem as lições do seu pai comerciante.

Na experiência profissional, Andrezza fez o último estágio no PSF (Programa de Saúde da Família), no bairro Soledade, e em seguida decidiu fazer residência no Hospital da Restauração, em Recife. De mala, cuia e muita coragem, partiu ciente de que lá realizaria seus sonhos. Teve apenas 11 dias de preparação e com determinação dedicou-se aos livros. “Passei em 1º lugar no maior Hospital de Trauma do Norte Nordeste!”, comemora. Ficou lá por 2 anos.

NOVAS EXPERIÊNCIAS

Andrezza relembra que chegou na nova cidade em pleno Carnaval, com o Galo (ela relembra referindo-se ao Galo da Madrugada), lá na frente, cacarejando na janela da casa onde se hospedava. Ela não imaginava quantas coisas boas viveria naquele Estado que lhe dava boas vindas em festa. “Era muita coisa para vivenciar, tanto que só vinha à Aracaju uma vez por mês para ver meus tios, tias e avós, pois eram meu suporte após a morte dos meus pais”, explica a nossa Protagonista.

Ainda na residência teve o primeiro contato com doação de órgãos e transplantes. “Tive a oportunidade de trabalhar na equipe de Dr. Bernardo Sabah, uma das figuras mais importantes neste assunto. Foi outra vertente da enfermagem pela qual me apaixonei”, esclarece. E este amor Andrezza Karina mantém até os dias de hoje.

Andrezza participa da ONG ‘Sou Doador’, onde é a representante do projeto em Aracaju, que visa levar para todos o conhecimento em relação à doação de órgãos. “Estamos implementando uma lei que busca introduzir no Ensino Fundamental, Médio e Acadêmico lições sobre o assunto, para mais pessoas digam sim!”, explica. Além disso, nossa Protagonista ainda dá suporte aos acadêmicos de medicina da Universidade Federal de Sergipe, membros do projeto “Doe Vida(”.

A Protagonista da Enfermagem Sergipana passou pelo Hospital Alpha Recife e em seguida juntou-se à equipe do Hospital Esperança. Na época prestou concurso para a Fundação Hospitalar de Saúde do HUSE e em Janeiro de 2011 retornou, definitivamente, à capital sergipana. Trabalhou na Santa Helena, porém logo foi convidada pelo Hospital São Lucas. “Cada sacrifício que fiz valeu a pena, pois cheguei aonde eu tanto esperava desde o início”, pontua.

CENTRO CIRÚRGICO

Lotada na sala de recuperação pós-anestésica, já no centro cirúrgico, apenas 3 meses foram suficientes para que a determinação e competência de Andrezza fossem reconhecidas. Foi convidada para assumir a coordenação do bloco operatório (Centros Cirúrgicos e CME). Um grande desafio, já assumindo um setor de extrema complexidade.

Lembra do concurso que Andrezza prestou? Foi convocada para a vaga do HUSE e tornou-se plantonista do Centro Cirúrgico por 6 anos e meio. “Por todo este período trabalhei nos dois hospitais, por 32 horas a cada três dias. Não me perguntem como consegui!” brinca a enfermeira. Não precisa, pois ao conhecer a história dela, fica fácil compreender como ela conseguiu!

Ter 2 empregos com uma maratona exaustiva não foi nada fácil para a enfermeira. “Nesse processo a gente acaba se perdendo de nós mesmos, enquanto mulher, amiga, filha, neta, sobrinha, tia…”, comenta. Foi quando resolveu largar o concurso e dedicar-se à vida pessoal, saúde e carreira no Hospital São Lucas. Com a saída do HUSE, fez o curso para ser instrutora do ATCN (Advanced Trauma Care for Nurses), curso que treina enfermeiros para o tratamento avançado ao paciente traumatizado.

MARCO SERGIPANO

Em 2019 o Hospital São Lucas deu um importante passo para a saúde no Estado. “Realizamos um sonho antigo, o da cirurgia robótica”, relembra com alegria. A Protagonista foi a enfermeira responsável por implantar o projeto pioneiro em Sergipe. “Discutíamos aqui no São Lucas, eu, a direção, outros setores e profissionais cirurgiões, sobre a viabilidade do programa. Demorou, pois esbarrávamos no financeiro, mas conseguimos!”, comemora.

Andrezza é a coordenadora de enfermagem robótica em Sergipe e conta mais 3 enfermeiras treinadas. ““É atribuição privativa do enfermeiro robótico, além de gerenciar todo o processo, realizar o “drapping” (preparação) e “docking” (acoplamento) o robô, o que nos exigem preparo e treinamento”, esclarece. Para se tornarem aptas, foi necessário passar por faz vários testes teóricos, treinamentos práticos no robô e somente depois passaram para a sala de operação.

O mesmo processo ocorre com os médicos cirurgiões. “Até agora só temos 7 cirurgiões robóticos certificados e na curva de aprendizado, que seria a liberação de realizar a cirurgia com um cirurgião robótico mais experiente do lado”, explica.

ORGULHO

Para obter tantas conquistas a Protagonista da Enfermagem Sergipana precisou sonhar, se dedicar, planejar, realizar. “Não foi fácil passar por tudo isso sem meus pais, pelo fato em si da perda, mas graças a Deus minha família sempre foi muito presente e tive muito apoio”, evidencia Andrezza.

Mas ela reconhece que o tempo que dividiram juntos, foi fundamental. “Meus pais me criaram pro mundo e esta lição teve enorme peso em cada conquista. Eu só tenho tudo isso porque eles me prepararam assim”, declara. Ela lembra que as lições da mãe sempre vinham associadas a um trecho da famosa canção ‘No Dia em Que eu Saí de Casa’, que fala: “meu filho vá com Deus, que este mundo inteiro é seu”.

Andrezza assim o fez, conquistou o seu próprio mundo e tem feito diferença na enfermagem por onde passa. “Eu espero e acredito, do fundo do meu coração, que meus pais estejam muito orgulhosos”. Nós do Coren-SE não temos dúvidas disso e reforçamos que este orgulho também é nosso.

 

Frase da foto perfil: “Cada sacrifício que fiz valeu a pena, pois cheguei aonde eu tanto esperava desde o início”.

 




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