20/12/2019

Protagonista da Enfermagem Sergipana

Técnica de Enfermagem - Laudicéia Amada Santos.

Com um abraço apertado e um sorriso no rosto, a equipe do Coren-SE foi recebida pela Protagonista da Enfermagem Sergipana deste mês de dezembro. E é com a mesma alegria que nós apresentamos para os nossos leitores a história dessa entrevistada, a técnica de enfermagem, Laudicéia Amada Santos.

Laudicéia Amada: uma nova amizade com um paciente ou o agradecimento pelo seu atendimento, este é o meu melhor salário

O enredo das próximas linhas vai retratar a força e qualidades de uma incrível mulher, nascida e criada em Tobias Barreto, no distrito de Montes Coelho (próximo à divisa com a cidade de Poço Verde), de infância simples e de características marcantes: batalhadora, doce, determinada e humilde.

A infância dura do sertão não foi determinante para atrapalhar o caminho próspero de Laudicéia. “Meus pais se separaram, fiquei sem base materna por 16 anos, os que estavam ao meu redor não tinham muita instrução e, por isso, não acreditavam e nem me apoiavam. Mas nunca desisti!”, relembra Laudicéia.

Seu primeiro emprego foi como empregada doméstica, de onde ela afirma ter tirado as primeiras lições para o que viria a praticar na enfermagem. “Com esse trabalho eu aprendi a me dedicar, a cuidar melhor das coisas e das pessoas”, esclarece. Na época, a profissão não tinha tantas garantias e, por isso, ela já se preparava para um futuro diferente. Com o salário que recebia, deu início a um curso de informática, se tornando instrutora da matéria logo em seguida.

Mas como os caminhos a entre a informática e a enfermagem se encontraram? Ela explica: “foi a informática que me deu base financeira para realizar o curso de Técnica de Enfermagem. Além disso, eu não gostava da informática e isso foi importante para me mostrar o que eu não queria pra mim e reconhecer o amor que teria pela enfermagem, assim que entrei nela”.

 

LUGAR CERTO

Há 5 anos Laudicéia mudou-se para a capital sergipana com o filho Lucas. O objetivo era ficar mais próxima do marido, que já trabalhava e residia em Aracaju. Após um período de desemprego, ela finalmente encontrou-se na área que se identifica e permanece até hoje, no Hospital Primavera. “Caí de paraquedas na UTI Clínica, onde fiquei por 3 anos. Hoje estou na UTI Humanizada, onde amo trabalhar”, afirma a Protagonista.

E uma vez na área, Laudicéia demonstra que a vaidade não tem espaço durante a atuação. “Entendo que não preciso vir empacotada. Gosto de vir pronta para a ‘briga’, afinal é uma luta diária conseguir ajudar melhor o paciente. Hoje entendo que tenho uma missão. Eu vim apenas para servir aquele que precisa naquele momento”, enfatiza a técnica.

Mas esta consciência não surgiu de modo fácil. A ida da nossa Protagonista à UTI foi completamente inesperada. “Foi um susto vir direto para a UTI. Precisei de 3 meses de adaptação, chorando diariamente, desesperada. Hoje não me vejo em qualquer outro lugar”, relembra Laudicéia.

Apesar de já saber lidar com os ônus da profissão, nossa entrevistada reconhece que a área de atuação tem grande peso emocional. “É um ambiente que tem cenas fortes. Nem todo mundo está preparado para isso, emocionalmente falando. Mas faz parte do meu trabalho deixar o ambiente mais alegre e leve. Como entendo que é minha missão, não é sacrifício para mim”, conclui.

O segredo para o melhor atendimento, de acordo com Laudicéia, é sempre estar pronta para as dificuldades. “É fácil ser um bom profissional de enfermagem quando você tem as melhores ferramentas. Mas, você precisa fazer o melhor em qualquer lugar”, explica. Além disso, ela reforça que o paciente sempre deve ter total atenção. “No dia a dia as pessoas não param mais pra ouvir as outras. Nós precisamos ouvi-las! Faz o diferencial perguntar como está, como se sente, como posso ajudar”, pontua a técnica em enfermagem.

 

SEMPRE MAIS

Laudicéia está em busca de aprimorar ainda mais o trabalho. Participa de todos os projetos, cursos, especializações e congressos que consegue e, ainda, se dedica diariamente à profissão, dobrando turnos nos fins de semanas e dividindo seu tempo com o Curso de Enfermagem. “Só tenho um medo! De perder o contato mais frequente que tenho com o paciente, que estou acostumada como técnica”, revela a amável Protagonista.

“Eu busco o melhor, pois nunca me conformei com a ideia em que dizem que técnico é apenas para ‘trocar fralda’. Precisamos saber de tudo para dar o melhor para o paciente. Saber conferir, cobrar e garantir sempre mais qualidade”, reforça a Protagonista. Para ela, é preciso saber analisar cada prescrição, compreender o que será administrado para o paciente e ter certeza de que está tudo certo. “Afinal, quem está no dia a dia e no contato permanente somos nós”, destaca.

Questionada sobre o que gostaria daqui para a frente, Laudicéia responde com clareza que não almeja muitas conquistas materiais. “Aprendi que preciso do essencial, pois a felicidade não está no material. Uma nova amizade com um paciente na UTI, o retorno de um paciente para agradecer pelo seu atendimento, este é o meu melhor salário”, confessa. No mais, ela alega só querer continuar com a mesma essência, ter gratidão e satisfação de poder ajudar, buscar conhecimentos e melhor atender.

Como recado final para todos os profissionais da enfermagem, a nossa escolhida para ser a Protagonista da Enfermagem Sergipana deste mês, incentiva: “nunca deixe de lutar! Nunca deixe de acreditar no seu potencial, porque a sua vez vai chegar. Não pode desistir jamais, nem se acomodar, até porque só vence quem luta!”.

 

Fonte: Asom Coren/SE

 




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