25/06/2020

Coren-SE participa de entrevista ao vivo com a TV Alese sobre Covid-19

Conrado Marques falou das dores dos profissionais, da intensificação contra o vírus e da previsão do pico da pandemia em SE

A pandemia do novo coronavírus ainda é uma realidade e em virtude disso, faz-se necessário enfatizar os cuidados que devem ser tomados, bem como analisar a atual situação vivida em Sergipe, principalmente pelos profissionais de enfermagem, que estão na linha de frente neste combate. Foi exatamente isso que aconteceu na tarde desta quinta-feira, 25/06, em uma entrevista da TV Alese com o Conselho Regional de Enfermagem de Sergipe (Coren-SE).

Participaram do bate-papo, ao vivo, as repórteres Sarah Medeiros e Kátia Santana, juntamente com o conselheiro e coordenador da Comissão de Gestão de Crise (CGC) do Coren-SE, Conrado Marques. O bate-papo tratou de como o conselho sergipano tem ligado com a situação, implementando a CGC, além do observatório do Cofen/Corens, do núcleo de inteligência para levantar os dados, estudar e analisar as normativas adotadas.

O coordenador enfatizou a importância da enfermagem, reconhecida com papel no momento atual. “Ela é espinha dorsal da instituição de saúde, nada funciona sem ela”, reforça Conrado Marques, que ainda destacou o excelente empenho dos profissionais de enfermagem diante de uma pandemia que chegou de forma inesperada, sem tratamento específico e com manifestação clínica desconhecida.

Na entrevista, o representante do Coren-SE salientou de como o profissional de enfermagem adotou uma posição admirável diante de situação tão crítica. “Este sentimento de pertencimento, de luta, esse front, nós, profissionais da saúde, temos assumido e protagonizado e isso tem sido fundamental”, destaca.

 

AS DORES

Outro assunto abordado durante a entrevista foram as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de enfermagem. Conrado Marques explanou que todos têm passado por uma intensificação do sofrimento. “Muitos têm vários vínculos, acumulam atividades, contam com restrições físicas, por questão das paramentações e seguranças, horas de dedicação, falta de contato pessoal, precisam se reinventar”, descreve.

Ainda sobre o assunto, ele apontou outras questões enfrentadas no dia a dia pelo profissional na assistência. “Perde-se a espontaneidade, pois está o tempo todo se policiando. Vive em estado de alerta, hipervigilância, há frustração por, muitas vezes, não conseguir o resultado que espera. Um contexto que os profissionais de saúde e de enfermagem têm sentido e vivido”, pontua o coordenador da CGC.

As apresentadoras endossaram apoio às dores enfrentadas pelos trabalhadores e questionaram sobre uma das grandes as dificuldades enfrentadas por eles, a dispensação de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Conrado Marques falou sobre a situação, que tem sido bastante complicada: “a gente recebe ouvidorias, denúncias e observa que os profissionais estão com esta queixa. Durante a fiscalização, percebe-se os itens em estoque, mas há um controle excessivo na dispensação. O profissional na linha de frente não está recebendo de forma adequada para exercer a assistência de forma segura e que ele se sinta seguro”, esclarece, reforçando a necessidade de correção da situação.

Conrado Marques ainda destacou outra dor enfrentada pelos que estão na linha de frente, que contam com uma redução drástica na capacidade de suporte social. Como em 80% dos casos a Covid-19 é assintomática e há um déficit de testagens seguras, o profissional chega em casa sem certeza se está assintomático e transmitindo o mesmo vírus que ele combate diariamente. “Por isso é importante que se intensifiquem as testagens, para que se sintam seguros com suas famílias e parentes. Precisamos olhar com cuidado os profissionais que estão dando suporte na linha de frente”, reforça.

 

COLAPSO

Outro tópico abordado foi sobre o receio de colapso do sistema de saúde no Estado. O representante do Coren-SE esclareceu que o isolamento e distanciamento foi necessário para que a curva fosse menos apiculada, para distensionar o sistema de saúde. “Ainda requer mais energia e incentivo para que as instituições continuem dando conta. Precisamos intensificar para que não entremos em colapso. Existe um esforço das gestões, mas deve ser intensificado”, evidencia.

“Tem uma previsão de quando este pico vai chegar em Sergipe?”, perguntou uma das apresentadoras. Conrado Marques pontuou a necessidade de analisar a previsão com base em diferentes metodologias epidemiológicas. “Tem sido bastante dinâmico. Esperávamos para final de abril e início de maio, depois conseguimos passar para meados de maio. Agora estamos no fim de junho e tentando reaver as atividades. Temos que estar acompanhando o vírus, a resposta da comunidade, para saber. Com o afrouxamento das diretrizes, os riscos são exponenciais”, alerta.

Por fim, o conselheiro do Coren-SE avaliou que o risco está no fato de que muitos que já foram contaminados pelo vírus e não suportam mais o período de isolamento, enquanto outros diminuem a gravidade para poder retornar com as atividades. “Enquanto profissional da saúde, membro do conselho e estudioso de todas as orientações das autoridades, peço que, ao menos, utilizem as máscaras de forma adequada. Saibam colocar, retirar e evitem se contaminar durante este uso, porque você pode entrar na estatística. Todo cuidado é pouco”, pontua.

 

Fonte: Ascom Coren-SE




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